Considerações a alguém que o tempo levou

 

Há um tempo, entreguei-lhe

meus pensamentos

Hoje estou exausta!

 

Não nego o que senti

Como poderia, se eram tão puros

os sentimentos e a poesia ainda

mora em mim?

Mas tenho orgulho, já

cansei de pedir sua atenção

 

A culpa foi minha, sabia

que você não poderia me entender

Mesmo assim insisti, consciente do

final e da minha reação

 

Fui eu que te coloquei em um

pedestal, pedi o impossível

e fui ingênua acreditando

em uma ilusão

 

Não falo de amor, mas

de algo diferente, não ouso explicar:

já disse demais a você

 

Quanto ao amor,

não sou criança, e naquele instante

era como um botão, pronto para

florescer

Você não viu, também não quis

 

E quando você descobrir que não foram

seus olhos que me desejaram,

seus lábios que me sucumbiram em prazer,

suas mãos que arderam em meu corpo,

será tarde

 

Você perceberá

que o que poderíamos ser

morreu com um beijo meu

e foi enterrado com suas palavras

 

Minha voz então será amarga e fria

você conhecerá minha crueza,

verá o lado negro que existe

quando se finda a magia

 

Agora talvez você entenda

como é a minha inocente natureza

Pare

Pare, por favor, pare!

Pare de se confortar em sua cegueira e abra os olhos

Pare de chorar pelos mortos e pense nos que vivem pela morte

Pare de julgar os loucos insanos; somos tão lúcidos quanto eles

Pare de dizer quem são os culpados antes de encontrar sua culpa

Pare de querer dar respostas sem saber a pergunta

Pare de aceitar limites, eles só se definem quando desistimos de vencê-los

Pare de desejar as ideias já feitas

Pare de viver em sonhos e só acreditar em pesadelos

Pare de acreditar que para crescer não podemos ser crianças

Pare de cortar asas só porque você não quis voar

Pare de procurar nos outros o inimigo que você criou

Pare de pensar que abandonar sua humanidade é a melhor forma de se tornar humano

Pare, apenas. Pare!

Lolita

Cuidado,

Sou como um doce amargo

seu brinquedo quebrado

Mais que um desejo,

uma necessidade

 

Aceite as carícias de minhas

mãos, suaves e frias. E

confie em meus olhos, pois

minhas palavras ciganas, estas sim,

dissimulam e enganam

 

Entregue-me seu corpo,

sinta-me suave em sua pele

Sou sua eterna tortura

que persegue e assusta

 

Fuja devagar,

pise em minhas pegadas

Encontre-me no labirinto

e permaneça perdido

 

Negue minha lealdade, seja

meu constante vício

Abro suas feridas, sou

seu maior risco

Quero seu bem, mas sua dor

me conforta

 

Da inocência monto a sedução,

faço um jogo insano para obter

seu perdão

 

Sou cruel, mas entenda:

é simples minha natureza