Você 

  

Você trouxe meu sorriso

e o levou embora

aprendi a sorrir sozinha

   

Você entrou sem precisar bater 

e saiu silencioso

sem eu perceber a movimentação    

   

Você me bagunçou

e foram apenas alguns dias

estou voltando a me organizar

   

Você me fez fechar minhas portas

e enferrujar as dobradiças 

agora controlo qualquer passagem

  

Você me trouxe a cólera 

e eu me perdi no vinho

assim meu coração amanheceu em paz

   

Você apareceu com palavras bonitas

e se ocupou demais para conversas

mas o silêncio só sabe destruir

   

Você já tinha desistido 

e eu também 

tentei deixar o gosto menos amargo

      

Você preferiu fugir 

e nada resolver

nos limitamos a ignorar o que aconteceu

     

Você me fez odiar Chico Buarque

e seus romantismos

me encontrei em novos artistas

   

Você restaurou minha confiança 

e levou um pouquinho 

estou cultivando o que restou 

  

Você veio no meio de uma tempestade

e me fez bem

só quis terminar sem rancores

   

Você foi um sonho bom

e acordei repentinamente

não tentei mais dormir

    

Você me inspirou poesias

e esta é a última que escrevo

não há mais espaço em mim para você 

Ocaso

 

Meu corpo está frio

Tão frio!

Meu coração não bate

Já não bate

 

Que ecos são esses na minha mente?

Não, não quero morrer mais uma vez!

 

Minha respiração hoje falha 

Minhas pernas sucumbem 

Minha voz desaparece

 

Até quando conseguirei sentir algo?

Minha própria indiferença me apavora

   

Não, não vou mergulhar nessa escuridão de novo!

Mas que forças ainda tenho para lutar?

 

E ela está sempre me rodeando

esperando um sinal de fraqueza

Já ordenei que fosse embora!

    

Mas não, ela não vai voltar!

Mesmo se eu estiver fraca, vou resistir

Ela não conseguirá mais me controlar!