Monólogo com um retrato na parede

Não sou quem vocês sonharam

não me tornei o que queriam

minhas opiniões não são as suas

vivo num mundo que não é de vocês

 

Tentamos me encaixar várias vezes

nasci desencaixada

Sigo sentindo do meu jeito

amando à minha própria forma

 

Luto pelo que não acreditam

sonho pelo que não aceitam

choro, pois me rejeitam

Mas chega de me calar!

 

Meu manifesto não é ridículo

meus ideais não são utópicos

minha personalidade não é constrangedora

eu não sou vergonha!

 

E daí que eu me vista assim?

E daí que eu pense assim?

E daí que eu aparente assim?

E daí que eu seja assim?

 

Peço alteridade, não austeridade

não posso me esconder por fatos sociais

Não quiseram me dar asas?

Pois parem de tentar controlar

meu desajeitado voo solo