Ciclo

Um dia é só mais um dia

tempo se esvai

sem perceber

 

Fases mudam

sempre igual:

vivo em eterna lua cheia!

 

Mesmas músicas

olhares, locais

melancolia preenche

 

Estações seguem?

Trem parado, inverno

graveto segura avalanche

 

Baratas se alimentam

restos soterrados na neve

mais uma ex-perança

 

 

Questionamentos

Quantas vezes uma alma pode ser rompida?

Com quantos toques não permitidos um corpo se parte?

São quantos os pedaços arrancados até um coração parar de chorar?

Em até quantos cortes uma pessoa pode ser divida?

Depois de quanto tempo a carne exposta começa a apodrecer?

Quantos lances determinam a carniça mais barata?

Quantas palavras são necessárias para destruir alguém?

Como salvar quem já se perdeu?

Ocaso

 

Meu corpo está frio

Tão frio!

Meu coração não bate

Já não bate

 

Que ecos são esses na minha mente?

Não, não quero morrer mais uma vez!

 

Minha respiração hoje falha 

Minhas pernas sucumbem 

Minha voz desaparece

 

Até quando conseguirei sentir algo?

Minha própria indiferença me apavora

   

Não, não vou mergulhar nessa escuridão de novo!

Mas que forças ainda tenho para lutar?

 

E ela está sempre me rodeando

esperando um sinal de fraqueza

Já ordenei que fosse embora!

    

Mas não, ela não vai voltar!

Mesmo se eu estiver fraca, vou resistir

Ela não conseguirá mais me controlar!

Dez segundos

Dez segundos para me amar

Dez segundos deixarei

Veja bem:

Nesta louca história,

O samba sou eu

 

Dez segundos de paz

Dez segundos de vigor

Como é estranha a vida:

O médico vira monstro

E o homem é um inseto

 

Dez segundos para sentir,

Dez segundos para morrer

Pense novamente:

Se o bem faz o mau,

O mal faz bem?

 

Dez segundos,

Hamlet vira Julieta

 

Dez segundos,

O pesadelo acaba

 

Dez segundos,

Tudo termina

 

Dez segundos,

É o recomeço

Queda

 

Mergulhar em ti

seria um erro prazeroso

Tua psico, tão densa e profunda,

me absorveria até a perdição

 

A soma fatal de nossos abismos

atração magnética, hipnótica

Sou uma bela presa aproximando-se de minha fera

 

Mas os desejos da carne, irrequietos,

repelem e puxam

longe da tua profundidade,

prisão dos meus instintos

 

Quando os pensamentos incapacitados

pela névoa do precipício ficam,

os desejos infiéis do corpo

saltam à mente, orgulhosa,

a necessidade de viver

 

São eles, conscientes dos

abusos da perdição,

os que se manifestam

fazem acordar a racionalidade

como lançassem corda para a liberdade

e indicassem fuga

Intocáveis

É noite,

nossa hora de sair

não queremos luz

Deixamos a escuridão nos absorver

 

Somos nossa própria companhia

Não consegue entender?

Não precisamos de mais ninguém;

sabemos nos divertir sozinhas

 

Desfilamos com nossas bocas cor de morte

nossas roupas de fogo

envoltas numa aura de irreverência

 

Não nos damos bem com

convenções sociais

Vivemos nosso mundo

Independentes

Pagliacci (Vesti la giubba)

Ria palhaço,

o mundo não quer ouvir

seus lamentos

são a comédia que não

deixam o pano descer

Recitar! Mentre preso dal delirio

Ria palhaço,

o mundo não quer sofrer

uma desilusão

seria a maquiagem derretida

por lágrimas sob a luz

La gente paga e rider vuole qua

 

Ria palhaço,

o mundo não quer saber

se você é humano

deixe o circo te prender ou

o palco não será mais seu

Bah, sei tu forse un uom?

Ria palhaço,

o mundo não quer entender

seu coração partido

é uma piada

para quem define amor

Tramuta in lazzi lo spasmo ed il pianto

 

Ria palhaço,

o mundo não quer conhecer

sua dor

aliena o público

aplaude a cena final

Ridi del duol, che t’avvelena il cor!